Buracos de bala em aviões ou, o que as estatísticas não vêem.

aviao1.jpg
No Business Pundit, um dos melhores blogs sobre empreendedorismo da blogosfera atual, li um excelente post sobre percepção e dissonância cognitiva, dois pontos fundamentais em qualquer projeto e plano de ação em negócios desde sempre.
O autor descreve um estudo estatístico feito na Segunda Guerra, com o intuito de blindar os aviões de combate nas áreas mais frágeis e evitar o aumento no número de baixas de soldados e aeronaves.
Ao examinar os aviões que retornavam às bases aéreas americanas, o estatísco Abraham Wald detectou um padrão de áreas atingidas na fuselagem das aeronaves. Com pequenas variações, o sinistro era sempre numa área que pouco variava de um avião para outro.
Determinado o padrão, Wald partiu para a formulação de um novo modelo de blindagem, que em primeira análise, sugeriria uma óbvia aplicação de mais proteção nas áreas mais constantemente atingidas.
Para a surpresa geral, em sua apresentação de resultados do estudo, Wald teve um insight um tanto óbvio quanto brilhante.
Sugeriu um modelo de blindagem que protegia diversas áreas das aeronaves, exceto todas aquelas em que eram mais frequentemente atingidas.
Justificou sua conclusão pela percepção, ou pela falsa percepção que nos leva a enxergar as ações de planos de sucesso, sem saber se os planos de fracasso também adotavam o mesmo padrão de comportamento. Ou seja, se os aviões eram atingidos quase sempre no mesmo lugar e ainda sim voltavam para as bases, significava que era claro que as avarias naqueles locais não eram fatais.
E que muito provavelmente, os aviões abatidos, e que não podiam ser avaliados, apresentariam buracos de bala em áreas distintas, daquelas estatisticamente, mais afetadas.
Nos mostra claramente, que às vezes, ou sempre, devemos olhar mais para os fracassos, do que para os sucessos.

Anúncios

2 opiniões sobre “Buracos de bala em aviões ou, o que as estatísticas não vêem.

  1. Bem conscientes que os aviões ao sobrevoarem o território inimigo teriam centenas de armas anti-aéreas apontadas a eles, os engenheiros aeronáuticos nos inícios da 2ª Guerra Mundial começaram a projectar melhores defesas blindadas para as suas aeronaves que ainda incorporavam conceitos de blindagens dos Anos 20 e 30. Assim, apareceram novos modelos de aviões de guerra muito blindados, fazendo despontar uma corrida desenfreada entre os fabricantes dos armamentos que tudo faziam para aprontarem armas cada vez mais pesadas e mais eficazes, e os fabricantes dos aviões que concebiam as células das aeronaves cada vez mais resistentes aos disparos dessas armas.
    À medida que as blindagens dos aviões aumentavam o seu poder de resistência anti-balística, as fábricas de armamento anti-aéreo tiveram gradualmente que ir aumentando os calibres das suas armas e elevando o seu número de instalações por bateria, tudo para que estas surtissem um efeito destrutivo satisfatório contra os resistentes aviões. Em contramedida, os construtores aeronáuticos passaram a defender ainda melhor os seus aviões com dotações de novas blindagens feitas de avançados materiais, cada vez mais leves mas mais fortes, conseguindo melhores resistências perante impactos de projécteis de grosso calibre, inclusivé explosivos. Isso fez com que os aviões se tornassem extremamente difíceis de serem derrubados.
    Essa premente necessidade de defesa e contra-defesa fez-se sentir ainda mais nos meados e finais da 2ª Guerra Mundial, forçando os cientistas a inventarem uma nova arma muito mais eficaz e mais letal,… o míssil.

    Contra as rajadas de projécteis pesados disparados dos aviões inimigos e os petardos explosivos vindos da artilharia anti-aérea na superfície, as aeronaves da 2ª Guerra Mundial começaram a contar com sofisticadas e resistentes blindagens, feitas de materiais metálicos como o boro e o magnésio, mais leves e mais fortes que as anteriores blindagens básicas de ferro e aço.

    No Pós-Guerra, eclodiu o desenvolvimento de novos materiais avançados, tendo culminado na Década de 60 o aarecimento dos compósitos avançados como o kevlar, a carbon fibre, o alclad, o alumilac e o nomex p.ex., materiais muito mais leves que os metais tradicionais mas incrívelmente mais resistentes várias vezes que eles.

    Hoje, certos tipos de aviões e de helicópteros de guerra possuem blindagens muito avançadas e ainda mais resistentes que as dos tanques de guerra, estas ainda feitas no tradicional ferro, material muito pesado e sujeito a rápida degradação das suas propriedades devido à oxidação (vulgo ferrugem). Essas vetustas blindagens continuam a ser usadas nos tanques mais modernos como os Abrams, Chieftain, Merkava, Leopard, T-72, T-80, T-90 etc…

    Um helicóptero AH-64 Apache, por exemplo, consegue resistir a centenas de impactos de projécteis pesados de canhões anti-aéreos de 30mm e tem até a proeza de conseguir absorver, sem comprometimento sério da sua estabilidade em voo, o impacto directo de um óbus de 105mm disparado a apenas 70 metros de distância ou à explosão de um míssil ar-ar AIM-9 Sidewinder. Além disso, as suas pás e rotores podem aguentar rajadas de tiros de 23mm das baterias autopropulsadas ZSU-23 de origem soviética. O seu “cockpit” bilugar tem capotas de perspex-poliamid sandwich, imune a explosões de proximidade e à prova-de-balas perfurantes de calibres até 20mm.

    Os aviões de ataque ao solo (Strike), de apoio aéreo aproximado (CAS-Close Air Support) e de ataque anti-navio (ASV), por terem perfis de missões sempre a baixa altitude, são altamente blindados para poderem aguentar o fogo anti-aéeo vindo da superfície. Entre os inúmeros aparelhos mais emblemáticos estão os F-15E Strike Eagle, F-16 Fighting Falcon, F/A-18 Hornet, A-4 Skyhawk, F-5 Tiger II, F-4 Phantom II, A-7 Corsair II, SEPECAT Jaguar, Panavia Tornado, Sukhoi SU-22 Fitter, SU-25 Frogfoot, SU-24 Fencer, Mig-29 Fulcrum, SU-27 Flanker, A-6 Intruder, F-105 Thunderchief ou ainda o IAI Kfir israelita ou o A-10 Thunderbolt II p.ex. Embora de aparência inestética, algo bruta e até grotesca, o A-10 é acima de tudo um verdadeiro “matador de tanques”, uma diabólica máquina assassina que varre o campo de batalha com um ferocidade impressionante. Em plena acção, nada poupa em seu caminho, conseguindo resistir a quase tudo o que lhe atirem, continuando a voar e a atacar como se nada lhe acontecesse. Mesmo severamente atingido, continua a sua missão, nem que perca partes das asas, dos estabilizadores ou que expluda uma das duas gôndolas dos reactores. Mesmo sem estabilizadores, pode continuar a voar e regressar à base mum certo gráu de segurança. Tudo isto é graças à sua alta redundância de sistemas, quase todos em triplicado. O A-10 é altamente blindado e a sua célula é feita com os metais e materiais compósitos mais avançados e mais resistentes que existem, entre os quais o molibdénio, o titânio, o carbono e o kevlar! Práticamente nada o consegue derrubar e enquanto está sobre a cabeça do inimigo, semeia um autêntico furacão de destruição avassaladora sobre brigadas de blindados, forças mecanizadas, artilharias, infantarias e baterias de mísseis anti-aéreos. Nada resiste à acção demolidora dos seus mísseis AGM-65 Maverick, às suas bombas guiadas a laser (LGB) GBU Paveway ou às suas penetradoras bombas anti-fortificações “Bunker Busters” que penetram no subsolo mais de 30 metros, explodindo as entranhas da terra e desventrando a sua superfície. Outras armas incluem ainda os seus pods lança-rockets de alto calibre (de 127, 130, 140 e 170mm) dotados com ogivas penetrantes, explosivas e incendiárias. Para além deste impressionante arsenal destrutivo, ainda conta com um potentíssimo canhão GAU-8 Avenger que dispara projécteis de 30mm, cada um do tamanho de garrafas de Coca Cola. Esses grandes projécteis têm ogivas com núcleo de urânio isaurídio, capazes de penetrarem e explodirem através de qualquer tipo de blindagem de tanque MBT existente. O seu impressionante e excelente desempenho nas guerras do Iraque, da ex-Jugoslávia e do Afeganistão foram decisivas para a rápida vitória dos contingentes aliados contra os forças inimigas.

  2. muito bom texto.foi-me enviado por um velho Amigo veterano desta “andanças” da Aeronautica e Aeroespacial!Aprende-se sempre emenso! E vale bem a pena!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s